Ato 1 — Despertar
Capítulo 01
Velório Turquesa
Há lembranças que não chegam pelos olhos. Chegam pelo cheiro.
Os lírios estavam em toda parte, e eram minha culpa. Santos resolveu tudo naqueles dois dias — o cartório, as assinaturas, os telefonemas que ninguém queria dar — e a única coisa que me perguntou foi se eu queria alguma coisa ali dentro. Respondi sem pensar, e ele anotou, e no dia seguinte havia lírios brancos nas duas laterais do caixão, em arranjos altos demais para o tamanho da sala. Aquela doçura fria se concentrava no ar próximo à madeira e descia até o fundo da minha garganta cada vez que eu respirava pela boca. Não se dispersava. Ia se depositando nas roupas, no cabelo, na pele dos braços, e à noite, no chuveiro, ainda estava ali.
A capela era a terceira de um corredor com piso encerado que refletia as lâmpadas do teto em faixas longas e paralelas. Havia duas fileiras de cadeiras estofadas em tecido cinza e, atrás delas, mais quatro fileiras de cadeiras de plástico que ninguém ocupou. No canto, uma mesa dobrável com uma garrafa térmica, copos brancos empilhados e um prato de biscoitos que atravessou a manhã inteira sem que ninguém mexesse. O ar-condicionado pingava numa bacia de alumínio em intervalos irregulares, e foi esse som, e não os outros, que ficou. Pela porta de vidro do fim do corredor entrava a luz de fora, muito mais forte que a de dentro, e todas as vezes que alguém saía para atender o telefone a claridade invadia por alguns segundos e depois se fechava outra vez.
Contei trinta e uma pessoas. Contei porque meu pai me ensinou a contar. Ele tinha um protocolo para entrar em qualquer lugar novo: número de saídas, número de corpos, quem estava mais perto de qual porta. Fazia isso enquanto conversava, sem que ninguém percebesse, e me fazia repetir depois, na calçada, para conferir. Naquela manhã eu contei sem querer contar. Duas saídas, trinta e uma pessoas, e nenhuma delas me conhecia o suficiente para saber que eu odeio ser tocado na nuca.
Dona Neide, do sexto andar do meu prédio, foi a primeira a chegar em mim.
— Ele era um homem tão educado no elevador — disse, apertando minhas duas mãos entre as dela.
A linha que veio dela era fina e de um amarelo sem calor, e tocou meu peito de leve antes de recuar. Voltou uma segunda vez, mais curta. Depois se soltou e foi procurar outra pessoa. Não havia nada de falso naquilo. Ela sentia exatamente o que era possível sentir por um vizinho de quem se sabe o andar e não o nome do meio.
Dois homens do dojo ficaram de pé no fundo, com as mãos cruzadas na frente do corpo, e não falaram com ninguém. As linhas deles eram grossas, escuras e retas, e iam direto para Santos, nenhuma para mim. Foi assim que entendi que eles não estavam ali pelo meu pai. Estavam ali por causa de quem tinha ficado.
Um homem de terno cinza-claro esperou a fila diminuir antes de se aproximar.
— Seu pai era um profissional exemplar — disse. — Uma perda para todos nós.
A linha dele era amarelo-pálido, lisa, com bordas tão regulares que pareciam desenhadas com régua. Não encostou no meu peito. Parou a alguns centímetros, permaneceu ali o tempo de uma respiração e recuou intacta, sem levar nem deixar nada. Só muito depois eu aprenderia o nome daquele tipo de linha e o nome da função das pessoas que a produzem. Naquela manhã só registrei o desconforto: ele não tinha vindo se despedir do meu pai. Tinha vindo me olhar.
Dona Cida chegou apoiada no braço de uma moça mais nova e não disse nada sobre o meu pai.
— Você tem os olhos dela — falou, e passou o polegar na minha bochecha com a mão inteira tremendo.
A linha dela era de um violeta muito baixo, opaca, espessa de tempo. Tinha trechos mornos e trechos frios no mesmo fio, e se movia num pulso lento, longo, o pulso de alguma coisa que respira devagar há muitos anos. Foi a única linha daquela manhã que me aqueceu.
E havia o professor.
Ele estava sentado na segunda fileira das cadeiras de plástico, sozinho, com as mãos apoiadas nos joelhos, e permaneceu sentado enquanto todos os outros se levantavam para circular. Quando finalmente veio, veio sem pressa nenhuma, e parou na distância exata em que um homem mais velho para diante de alguém que ele decidiu tratar como adulto.
— Eu ensinei desenho para a sua mãe — disse. — Muito tempo atrás. Ela tinha uma coisa raríssima na mão: não corrigia. Traçava a linha errada e continuava a partir dela, até a linha errada virar a única possível.
Foi a primeira frase daquela manhã que me fez querer responder.
— Eu não sabia que ela desenhava — falei.
Ele inclinou a cabeça de um lado só.
— Ela desenhava o que os outros não veem. Isso costuma dar trabalho.
Eu ergui o rosto para conferir o que estava ouvindo, e me atrapalhei, porque a linha dele não me disse nada. Foi a única daquela manhã que não me disse nada. Não era fina, não era grossa, não era quente nem fria, não tocava e não recuava. Estava ali, ocupando o espaço entre nós com a mesma neutralidade de uma parede. Eu tinha menos de uma semana de linhas e ainda estava aprendendo a distinguir o que era leitura minha e o que era o mundo, então guardei aquilo sem entender e sem soltar, que é a única maneira de guardar o que ainda não tem nome.
Ele perguntou se eu ia continuar desenhando. Eu disse que nunca tinha desenhado. Ele disse que isso era uma boa notícia, agradeceu por algo que não ficou claro e voltou para a segunda fileira.
Só na calçada, horas depois, percebi que não tinha perguntado o nome dele. E que ele não tinha dado.
Santos chorava desde o começo.
Era estranho ver um homem daquele tamanho chorar daquele jeito. Soluçava baixo, com os ombros tremendo em compasso quebrado, e levava a mão ao rosto de vez em quando com o gesto rápido de quem tenta resolver o problema antes que alguém veja. Precisei me lembrar duas ou três vezes de que era ele quem deveria estar me consolando. Encostei a mão no braço dele, no mesmo lugar em que ele tinha tentado encostar no meu ombro mais cedo e desistido no meio do caminho, e fiquei ali, oferecendo o que eu tinha.
Até aquela manhã, Santos era para mim uma soma de coisas largas. Os ombros, o sorriso, os braços, o jeito de atravessar o tatame. Eu passava tardes inteiras sentado no banco lateral da academia vendo os dois conversarem depois do treino, e ele sempre me dava um refrigerante escondido do meu pai, que não deixava. Naquele velório o homem grande tinha desaparecido por dentro, e o que sobrou foi alguém menor do que eu tentando não fazer barulho.
As linhas dele estavam densas, de um tom fechado e quase terroso, com regiões de tensão acumulada que vibravam em intervalos curtos e desiguais. Algumas vinham até mim comprimidas, carregando uma pressa que ele mesmo não estava dando conta de segurar. Outras varriam o ambiente inteiro, esticando-se pela sala com atenção constante, e recuavam sempre que alguém se aproximava demais do caixão. Ele já sabia que precisava ficar ali. Levaria semanas até que eu descobrisse contra o quê.
Quando Dona Cida foi se apoiar no degrau baixo que sustentava o caixão, o pé dela escorregou no encerado.
Eu me movi antes de pensar. O corpo fez a conta sozinho: o peso caindo para a direita, a distância, o ângulo. Quando percebi, já estava segurando uma senhora de sessenta quilos com um braço só, e a respiração inteira travada no peito. A moça que a acompanhava agradeceu muito, várias vezes, mais do que era necessário. Santos me olhou de um jeito que eu não soube ler.
Eu conhecia aquela sensação. Era a mesma coisa que meu pai treinou em mim milhares de vezes, no quintal, na sala, no quarto, sem nunca explicar para quê. E naquele instante ela me atravessou com um enjoo, porque eu tinha o corpo pronto para segurar uma senhora que escorregava, e não tive corpo nenhum três noites antes, quando meu pai se ajoelhou na minha frente, sorriu e abriu a porta.
Eu vi a linha tremendo e perguntei se ele estava bem. Ele disse que estava, e eu deixei ele ir.
Todo ano meu pai me levava ao túmulo da minha mãe e deixávamos alguns ramalhetes na lápide. Íamos cedo, antes do cemitério encher. Um dia, cansado do calor e do cheiro de terra molhada, eu perguntei:
— Pai, por que a gente faz isso todos os anos?
Ele ficou espantado com a pergunta. Pensou por alguns segundos, ajoelhou-se e ficou com os olhos na altura dos meus.
— Eram as preferidas da sua mãe.
Sorriu e pôs a mão na minha cabeça, sem peso.
— Me promete que você vai lembrar de trazer as flores para ela.
Eu senti vergonha de ter perguntado.
— Prometo. Eu levo as flores todo ano.
Foi por isso que pedi lírios para o caixão dele. As flores eram dela, e se estivessem ali os dois ficavam no mesmo lugar por uma manhã. Era o que eu achava naquela época.
O rosto estava intacto. Disseram que o resto do corpo não, mas eu não vi, e ninguém insistiu que eu visse. Olhei para ele e a primeira coisa que pensei foi que estava dormindo, e a segunda foi que eu quase não tinha lembranças do meu pai com os olhos fechados. O contrário sim, muitas: ele entrava no meu quarto toda noite para conferir se eu já dormia, atravessava o piso devagar para não acordar a casa, encostava os lábios na minha testa e desejava boa noite para alguém que já fingia estar dormindo havia dez minutos só para receber aquilo, e que teria morrido de vergonha se ele soubesse.
Aproximei-me devagar e fiz o mesmo.
E foi ali que eu vi o que não estava lá.
Fazia uma semana que eu não conseguia olhar para ninguém sem ver o que saía do corpo. Do meu pai não saía nada. Não era uma linha fina, nem apagada, nem recolhida como a do professor: era o lugar onde uma linha começa, e ele não começava. Três noites antes aquele mesmo lugar tinha ficado dourado entre nós dois, e eu tinha dormido com a linha pulsando no peito. Procurei mesmo assim. Passei os olhos pelo peito dele, pelas mãos, pelo espaço em volta, e não havia de onde.
A pele estava gelada. Foi só isso. Não houve nada de grandioso, nenhum estrondo, nenhuma revelação. A testa do meu pai estava fria e não respondeu ao meu toque. Bastou aquilo para eu entender que nunca mais ia sentir o calor dele, e que a voz e o sorriso viravam, a partir dali, material de memória — que é uma coisa que estraga.
A primeira gota caiu na testa dele. Depois a segunda e a terceira. Eu tentei conter — meu pai dizia que o choro é o último recurso, que antes de uma lágrima a gente deveria tentar todas as outras saídas —, mas eu tinha contado as saídas daquela sala assim que entrei, eram duas, e nenhuma delas servia para aquilo.
E então as linhas mudaram.
Não foi só a cor. Mudou o peso, mudou o ritmo, mudou o comportamento. Os fios ao redor foram ficando azul-turquesa, espessos, carregados, com uma superfície úmida que escorria no ar sem cair. A vibração de todos desceu para um pulso único, compartilhado, e eu pude acompanhar o instante exato em que a respiração de cada pessoa se ajustava àquele compasso — o momento em que uma linha que mantinha a própria frequência desistia dela e passava a responder ao movimento coletivo. A sala inteira se reorganizou a partir de um ponto de origem, e o ponto de origem era eu.
Dona Neide, que tinha vindo por educação, chorou como se fosse irmã dele.
O custo veio junto, e eu não soube que era um custo. Um frio subiu pela nuca e se espalhou até a raiz dos dentes. A garganta secou de dentro para fora, e por alguns segundos as bordas da sala perderam o contorno e voltaram.
Foi no meio daquele mar de azul que o gosto de metal apareceu na minha língua.
Não pensei nada. Meu corpo se fechou primeiro — a base do pescoço contraiu, os ombros subiram um centímetro, o peso desceu para o pé de trás sozinho. Era a posição que eu assumia no dojo quando alguém entrava no meu campo sem eu ver.
Procurei com os olhos.
Entre todos os fios molhados havia um seco. Um único fio escarlate atravessava a sala sem participar de nada. Não tinha absorvido a umidade, não tinha descido para o pulso comum, não tinha engrossado. Mantinha-se fino, tenso e com uma vibração contínua, intacto, num ambiente em que todo o resto tinha mudado ao mesmo tempo.
Segui o fio com o olhar. Ele ia para o fundo da sala, para as cadeiras de plástico.
E antes de eu chegar ao corpo, a linha se recolheu.
Não desapareceu. Se recolheu — afinou, mudou de espessura, deslizou para dentro do emaranhado turquesa e se dissolveu ali com uma precisão que não tinha nada de acidental. Alguém tinha percebido que eu estava olhando e tinha guardado a própria linha, com a facilidade de quem fecha a mão.
Meu estômago virou. Comecei a andar para o fundo da sala.
Foi então que outra linha entrou no meu campo, e eu parei de andar.
Ela vinha da porta e era âmbar, com temperatura constante e sem oscilação nenhuma. Também não tinha respondido à onda. Também não tinha ficado turquesa. Mas era o oposto da escarlate: sem esconderijo, sem tensão, sem cálculo nenhum — firme com a firmeza das coisas que sustentam peso, e vinha na minha direção sem pressa e sem exigir nada em troca.
Duas linhas naquela sala não me obedeceram, e uma delas tinha acabado de fugir.
Eu fui até a que ficou.
Ele esperou que eu chegasse.
Não ocupava o espaço como Santos. Havia nele uma contenção que não diminuía a presença, apenas tornava a presença difícil de medir. O corpo era alinhado sem rigidez, sustentado por uma economia de gesto que eu só voltaria a ver em pessoas que passaram a vida sendo observadas. Os cabelos grisalhos tinham desgaste nas laterais. Os olhos não varriam o ambiente: escolhiam onde pousar e permaneciam ali o tempo suficiente para compreender antes de reagir.
— Nicolas — disse. — Eu sinto muito.
A voz era assentada, sem pressa.
Atrás de mim, a linha de Santos reagiu antes da voz dele. Estreitou, ganhou tensão, e a vibração ficou mais curta e mais rígida, um fio puxado além do ponto confortável.
— Lucas — disse Santos, baixo.
— Santos — respondeu ele, no mesmo tom.
O ar entre os dois ficou mais denso. A linha que os ligava seguia sem ruptura e sem conforto nenhum — só história, comprimida, guardada em algum lugar que eu não alcançava. As linhas não mentem. Elas só não explicam.
Lucas voltou-se para mim.
— Eu estive perto da sua mãe. Do seu pai também. Ele confiava em mim, e isso não se perde.
A linha dele não fez nada. Foi isso que me chamou atenção. Durante a manhã inteira, cada vez que alguém pronunciava o nome do meu pai ou da minha mãe, a linha daquela pessoa fazia alguma coisa — contraía, escurecia, ganhava uma camada de hesitação em algum ponto do percurso. A de Lucas permaneceu exatamente onde estava, na mesma temperatura, com a mesma espessura, e ele falou dos dois no mesmo tom com que teria pedido um café.
Guardei aquilo também. Estava ficando um dia de guardar coisas.
— Você não precisa atravessar isso sozinho — continuou. — Eu gostaria de estar por perto. Se você quiser, pode ficar comigo por um tempo.
Santos ajustou a postura ao meu lado antes que eu respondesse.
— Ele tem para onde ir — disse, sem olhar para Lucas. — Eu sou o guardião legal do garoto. Foi o que o pai dele deixou decidido, e é o que vai ser cumprido.
Aquilo me atingiu em um lugar que eu não esperava. Meu pai tinha escrito o meu destino em algum papel, num escritório, num dia comum, sem me contar. Ele tinha pensado nisso. Ele tinha pensado que isso ia acontecer.
Lucas assentiu sem disputar.
— Eu não estou aqui para substituir ninguém. Apenas para oferecer uma possibilidade.
Tirou um cartão do bolso interno do paletó e o entregou com o mesmo cuidado da linha. Papel grosso, cor clara, e no canto superior um logotipo pequeno: três traços finos entrelaçados em volta de uma palavra que eu nunca tinha visto. Colégio Ankher. Abaixo, o nome dele e o cargo. Diretor Pedagógico.
Passei o dedo no relevo dos três traços entrelaçados. Eram linhas. Alguém tinha desenhado linhas no cartão.
— Você conhecia o professor de desenho da minha mãe? — perguntei.
Foi a primeira vez, naquela manhã inteira, que a linha âmbar oscilou.
Um pico curto, quase nada, uma alteração de espessura na altura do meu peito que sumiu antes de eu conseguir olhar duas vezes. Ele respondeu que havia muita gente na vida da minha mãe, e que a gente podia conversar sobre ela quando eu quisesse, e a linha voltou a ficar exatamente como estava antes. Eu tinha perguntado por um homem e ele tinha respondido sobre uma multidão. Foi tão rápido que eu passei semanas me perguntando se tinha inventado.
Não inventei.
Levei décadas para entender o que aquele pico era, e é a coisa mais triste que eu sei sobre o Lucas. Uma coisa escondida tem fundo: você sente a espessura por cima e reconhece que existe volume embaixo, guardado. Aquilo não tinha volume nenhum. Ele sabia que houve um professor de desenho na vida da minha mãe, sabia que não sabia mais nada sobre ele, e a linha inteira oscilou pelo tamanho do que faltava.
Naquela manhã eu registrei uma linha que se escondia de mim. Estava errado. Era uma linha sem fundo, e eu tinha diante de mim, ao mesmo tempo, o homem que não sabia e o homem que ele não sabia.
As pessoas começaram a se dispersar. O turquesa foi perdendo a saturação, as respirações voltaram cada uma para o seu compasso, e o cheiro dos lírios ficou. Eu olhei uma última vez para o rosto do meu pai e para o espaço vazio ao redor dele, onde não havia fio nenhum, nem para mim.
Duas linhas não obedeceram àquela sala. Uma se escondeu de mim e a outra me deu um cartão. E o meu pai, que planejava tudo, tinha deixado escrito num papel de escritório que eu deveria ficar com o homem que chorava, e não com o homem que não tremia ao dizer o nome dele.
Guardei o cartão no bolso de dentro, o mesmo em que ele guardava as coisas que não eram para perder.
— Eu vou levar os lírios todo ano — falei baixo, e não soube se falava com ele ou comigo.
Agora eram duas lápides. A promessa tinha dobrado de tamanho, e eu era a única pessoa viva que a conhecia.
Naquela noite eu dormi catorze horas e acordei com o corpo doendo nas articulações. Minha primeira suposição foi tristeza. Levei anos para trocar a palavra.
Muita gente, depois, disse que eu fui levado.
Eu tinha dezesseis anos e trinta e uma pessoas para contar, duas saídas, uma linha que fugiu de mim e um cartão com linhas desenhadas na frente. Ninguém me levou.
Eu escolhi qual das duas eu ia seguir.